De que se queixa o homem
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De que se queixa o homem?

23/09/2019 Pr. Osiel Tavares 23.396 views 12 min de leitura

Vivemos em uma sociedade acostumada a culpar terceiros por suas dificuldades. Quando algo dá errado, é comum responsabilizar o governo, a família, os amigos, a economia, e até mesmo Deus. No entanto, a Palavra do Senhor nos convida a olhar para dentro de nós mesmos e reconhecer nossa responsabilidade diante das dificuldades que enfrentamos. Jeremias, o profeta das Lamentações, nos ensina que, em vez de nos queixarmos injustamente, devemos reconhecer nossos próprios pecados.

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De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados” Lamentações 3:39

As lamentações dos seres humanos podem ser visíveis em cada esquina que agente cruza, que vai da vida material, profissional, sentimental, familiar e espirituais das pessoas. A Bíblia tem a resposta sobre a origem das queixas humanas, o porque de tantas lamentações provinda das pessoas. Os textos Sagrados nos mostram claramente que o pivô de tudo foi a entrada do pecado sobre a face da terra, provindo da desobediência do homem (Gn 2.17; 3.1-19).

A Tendência Humana de Buscar Culpados

Com a queda do primeiro ser vivente, a terra nunca mais foi a mesma, a maldade tomou conta do ser humano e o primeiro assassinato acontece, um irmão mata o outro (Gn 4.8). Agora Adão e Erva sentiram na alma o grande erro que eles tinham cometido naquele jardim ao comer da árvore do conhecimento do “bem e do mal”, depois da dor para dar à luz aos seus dois primeiros filhos, Erva agora vai sentir a dor do sofrimento de sepultar um dos filhos morto pelo próprio irmão, essa pode ser umas das primeiras lamentações do ser humano sobre a terra.

A dimensão do erro que eles tinham cometido tempos atrás, agora começa a ficar cada vez mais visível diante de seus olhos. Talvez em um primeiro instante quando foram retirando do jardim e foram viver sobre a terra amaldiçoada (Gn 3.17), e com a consequência do erro que tinham cometido, não pensaram que seria tão cruel a vida. Agora com certeza depois de sepultar um dos filhos morto pelo próprio irmão, fica a lembrança do que Deus disse naquele jardim: “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.17).

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O que o profeta Jeremias pergunta e responde em Lamentações 3.39, é o resultado da queda do homem no início de tudo e se afastando gradativamente do seu Criador. Assim como a desobediência de Adão e Erva trouxe o caos a terra, também a desobediência do povo de Israel trouxe um caos a nação.

Em Jeremias 39 vemos a consequência da desobediência de um reinado, no nono ano do reinado de Zedequias, rei de Judá, Jerusalém foi tomada por Nabucodonosor, rei da Babilônia e incendiaram o palácio real e as casas do povo, e derrubaram os muros de Jerusalém, e povo foi levado cativo. “De que se queixa, pois, o homem” (rei Zedequias e o povo)? Talvez fica a lembrança do que Deus disse ao rei e todos muito antes de isso acontecer, através do profeta Jeremias. Não deram importância para o que Deus estava falando através do profeta, e cada vez mais se afogavam no erro que os levou ao fracasso. Jerusalém foi tomada por Nabucodonosor, rei da Babilônia, e o povo foi levado cativo, cativeiro que levaria 70 anos vivendo dispersos em plena a Babilônia.

Agora fica a grande pergunta: “De que se queixa, pois, o homem…?” a reposta é bem direta quando se trata das coisas que o ser humano lamenta nessa vida, deixando claro que: “…Queixe-se cada um dos seus pecados”. Essa seria a resposta de Deus as suas criaturas na face da terra? Sim, pois suas queixas são as consequências da queda de Adão e Erva naquele jardim, o fruto da desobediência de ambos. Umas das cosias que jamais devemos estranhar no mundo que vivemos são as lamentações das pessoas, pois isso sempre vai existir enquanto o ser humano viver na terra ou até o mundo chegar ao seu fim.

Degradação do ser Humano

Cada vez mais a degradação do ser humano que vive distante do seu Criador é visível no mundo. As pessoas de tudo praticamente se queixam nessa vida e muitas das vezes culpam os outros por seus fracassos e desamores, mas é difícil alguém para e refletir que os seus pecados levam ao declínio que está vivendo. A pergunta e resposta Bíblica é bem clara quando se refere a questão “de que se queixa, o homem vivente”. Na realidade o ser humano é punido por seus próprios erros e pecados, consequência que deveria ser evitada se a pessoa se arrependesse e se convertesse dos seus maus caminhos. Pois uma vida mergulhada no pecado só resultará em queixas e mais queixas, e o ganho final é a morte (Rm 6.23a).

Desde o Éden, o ser humano tem o costume de transferir a culpa:

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  • Adão culpou Eva e, indiretamente, Deus: “A mulher que me deste…” (Gênesis 3:12)
  • Eva culpou a serpente“A serpente me enganou…” (Gênesis 3:13)
  • O povo de Israel culpava Deus e Moisés no deserto, em vez de reconhecer sua própria rebeldia.

O problema de culpar os outros é que isso nos impede de reconhecer nossos próprios erros e consequentemente, nos distancia do arrependimento e da restauração.

A Correta Resposta Diante das Dificuldades

A passagem de Lamentações 3:39, que questiona: “Por que se queixa o homem vivente, emerge de um dos momentos mais sombrios da história de Israel. O profeta Jeremias, o autor tradicional, não escreve de uma posição de distanciamento acadêmico, mas da cinza e do luto de uma nação devastada. Este contexto confere à sua pergunta uma profundidade e urgência existenciais.

A Chamada ao Autoexame Sincero Lamentações 3:39

Em vez de mostra em uma queixa estéril, dirigida de forma injustificada contra a justiça divina, o profeta convoca o indivíduo a um exercício radical de autoexame moral e espiritual. A queixa humana é validada apenas quando o sofrimento é imerecido e não tem raiz na própria desobediência. No entanto, Jeremias confronta a tendência humana de externalizar a culpa. Ele implicitamente estabelece um princípio de responsabilidade individual e coletiva: se o sofrimento advém do “castigo dos seus pecados”, a lamentação mais apropriada não é a murmuração contra Deus, mas sim a confissão e a introspecção.

A análise aprofundada dessa passagem sugere que o sofredor deve realizar a seguinte reflexão metódica:

  1. Avaliação da Causa: É preciso discernir honestamente a origem da dificuldade. O castigo divino não é um ato arbitrário, mas uma consequência justa e pedagógica da quebra da aliança. O sofrimento, neste contexto, serve como um espelho que reflete as ações passadas do indivíduo ou da comunidade.
  2. Aceitação da Soberania: A murmuração implica uma crítica à sabedoria ou à justiça de Deus. Ao aceitar que o sofrimento é um produto direto das próprias escolhas (pecado), o crente submete-se à soberania divina, mesmo no juízo.

Esta perspectiva bíblica traz a ideia de que todo sofrimento é resultado direto do pecado individual (uma visão que o livro de Jó refutaria), mas, no contexto específico de Lamentações, aplica-se à nação de Judá que havia repetidamente ignorado as advertências proféticas. Portanto, a pergunta de Jeremias se torna um teste de honestidade: “Será que eu contribuí para essa situação com minhas escolhas?”

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A Rota do Arrependimento e Restauração (1 João 1:9)

A reflexão e o autoexame não são fins em si mesmos, mas sim o portal de entrada para o arrependimento genuíno. A dor do juízo, quando corretamente internalizada, deve culminar na mudança de mente e direção (a etimologia da palavra hebraica para arrependimento, shuv). O Novo Testamento reforça e universaliza este caminho através da promessa contida em 1 João 1:9: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.”

O arrependimento verdadeiro — que inclui confissão, remorso e uma firme intenção de abandono do erro — é o único mecanismo que transforma o castigo em disciplina e a dor em purificação. A restauração prometida não é apenas um retorno ao status material, mas primariamente uma restauração da comunhão com o Santo. A fidelidade e justiça de Deus são garantias do perdão; Ele é justo em perdoar, não por um capricho emocional, mas porque o sacrifício de Cristo (a propiciação mencionada em 1 João 2:2) satisfez plenamente as exigências da Sua santidade. A confissão é, assim, o reconhecimento da justiça do juízo (Lamentações 3:39) e a aceitação da misericórdia provida.

A Misericórdia de Deus Está Disponível

É crucial notar que a severa exortação ao autoexame em Lamentações 3:39 é enquadrada pela gloriosa declaração de esperança e fidelidade divina. O versículo 3:22, frequentemente citado como um farol no meio da escuridão, afirma: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim.” Este é o ponto teológico central do livro: o juízo, por mais devastador que seja, nunca é a última palavra de Deus.

O Caráter Inesgotável da Misericórdia Divina

A palavra hebraica traduzida por “misericórdias” é hesed, um termo que carrega o peso de amor pactual, lealdade inabalável e bondade fiel. Jeremias não está falando de uma benevolência passiva, mas de uma ação ativa de Deus em manter Seu relacionamento de aliança, mesmo quando Seu povo é infiel.

O profeta faz uma declaração de contraste impressionante: a totalidade da destruição de Jerusalém (consumidos) versus a totalidade da fidelidade de Deus (misericórdias que não têm fim).

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  • Não Sermos Consumidos: Se Deus agisse puramente de acordo com a nossa merecida punição, o resultado seria a aniquilação total. O fato de que a nação, ou o indivíduo, sobrevive ao juízo (à “consumição”) é a prova empírica de que a justiça divina é temperada pela Sua hesed. A existência contínua da aliança é um testemunho da Sua paciência.
  • Misericórdias que Não Têm Fim (Renovação Diária): O versículo 23 complementa: “Novas são a cada manhã; grande é a tua fidelidade.” A fidelidade (emunah) de Deus assegura a renovação contínua de Sua hesed. Não se trata de uma única fonte de perdão que se esgota, mas de uma fonte que jorra novamente com o nascer de cada sol. Esta é a base da esperança no Novo Testamento e a razão pela qual a confissão em 1 João 1:9 é eficaz: o perdão não é um recurso escasso.

A Esperança Que Restaura a Alma

A estrutura literária de Lamentações 3 coloca estas afirmações de esperança no coração do livro, como um pivô teológico. É a crença inabalável na inesgotável misericórdia de Deus que permite ao profeta aconselhar o autoexame (v. 39). Por que nos autoexaminar e confessar? Porque o Deus a quem confessamos é um Deus cuja essência é a lealdade e cujo propósito é a restauração.

Deus não nos deixa sem esperança! A reiteração desta verdade é fundamental. Quando o crente, após o doloroso processo de autoexame e reconhecimento da própria culpa, se volta para Deus em arrependimento pactual, Ele está pronto para restaurar. Esta restauração vai além da simples reversão de circunstâncias; é a reconstrução do relacionamento que havia sido quebrado pelo pecado. A justiça de Deus demanda o juízo, mas Seu amor pactual garante que o juízo sirva ao propósito último de redenção e restauração da comunhão.

Conclusão

Ao refletirmos sobre Lamentações 3:39, percebemos que muitas vezes nossas queixas não estão ligadas apenas às circunstâncias externas, mas ao afastamento de Deus e às escolhas equivocadas que fazemos. Reconhecer nossas falhas não é motivo de vergonha, mas um sinônimo à honestidade espiritual, permitindo que identifiquemos onde precisamos de transformação e arrependimento.

O arrependimento sincero nos conecta à misericórdia de Deus, que é renovada a cada manhã. Quando paramos de culpar terceiros e olhamos para dentro de nós mesmos, abrimos espaço para a restauração, a cura interior e a mudança de atitudes. Assim, aprendemos que a responsabilidade sobre nossa vida e nossos atos é um passo essencial para viver em paz e integridade diante do Criador.

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Portanto, em vez de nos deixarmos consumir pelas lamentações e queixas, somos chamados a direcionar nosso olhar para Deus, confiar em Sua justiça e agir com discernimento. Que nossas palavras não reflitam descontentamento, mas um coração que busca corrigir o que está errado, reconhece os próprios erros e se entrega à restauração e à graça divina.

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